O segundo álbum dos Evolucija, Igra počinje, traz-nos uma mão cheia de metal gótico de qualidade, cantado em sérvio. É sempre um prazer poder escutar as bandas de que gostamos a cantar nas suas línguas nativas, e, na globalidade, os Evolucija carregam consigo essa sua familiaridade, que ao ouvinte de fora, surge como uma requintada e interessante novidade sonora. Ilana Marinjes, a vocalista da banda, consola-nos com o seu vocal, claro como a água, por vezes, com uma sonoridade caracteristicamente mais monótona, mas sempre muito delicada, que adensa a atmosfera gótica da música.
Globalmente, pela música dos instrumentos e da voz em consonância, este álbum evoca-nos à mente um cenário bucólico, campestre, quase medieval. Talvez seja esta a magia da música cantada em outros idiomas, que não nos são compreensíveis, mas que ajudam a fazer figurar cenários imaginativos nas nossas cabeças, pela associação que fazemos, da sua música, àquilo que tentamos, interiormente, compreender e tornar familiar. Tanto é que, em certas cantigas, como Kao iz sna, a música desenha-se quase como um hino cantado em sérvio.
Apesar desta evidente preferência por um formato mais tradicionalista de metal gótico, algumas músicas apresentam uns parcos elementos mais modernos, tal como Igra, nomeadamente, nos efeitos sonoros e de guitarra que apresenta.
Numa nota conclusiva, podemos virar as nossas atenções, momentaneamente, para a capa do álbum. Visualmente simples, mas que transcende um ar glorioso, triunfante e até mesmo místico, que se coaduna perfeitamente com a música que representa.
Ficha técnica
Data de lançamento: 10 de março de 2016
Editora discográfica: TIOLI / Take it or Leave it Records
Recentemente, a banda espanhola de metal sinfónico Against Myself presenteou-nos com um dos temas do seu vindouro álbum, Tides of Insanity, que será lançado em março, pela On Fire Records. Será também o primeiro álbum de estúdio com a nova formação da banda, que foi sendo constituída entre os anos de 2019 e 2022. Tema esse, Sweet Chants of Death, lançado conjuntamente com um vídeo oficial, sobre o qual daremos também o nosso parecer.
A canção começa com uma breve introdução acústica de guitarra, que traz de imediato à lembrança música típica do Médio Oriente. É uma boa forma de captar a atenção do ouvinte, num ritmo bem suave e intrigante, que nos conduz a uma mudança sonora, de um metal sinfónico, marcadamente moderno - um ritmo de guitarra mais percussivo, um teclado de um som mais eletrónico e efeitos sonoros no fundo, para acentuar a ambiência da música. A esta mescla, junta-se a suave e cativante voz da vocalista, Elizabeth Amoedo.
Para a secção do refrão, nota-se a transição da sonoridade da banda para um metal mais tradicional, em que as guitarras melódicas e o pedal duplo tomam proeminência do cenário instrumental. Esta é uma configuração que voltaremos a ouvir, mais tarde, no interlúdio instrumental, a meio da cantiga, que antecede o momento mais agressivo da mesma, em que Elizabeth faz uso de um vocal gutural, intensificado pela metranca da bateria. Muito frequentemente, também escutamos um som de orquestração, mais tradicional, inserido em momentos específicos da cantiga, acentuando a dinâmica da experiência sensorial auditiva.
O vídeo demarca-se como um fiel espelho visual da música que o acompanha. Sitiados num local pouco iluminado, onde predominam nuvens de néon opacas, com candelabros de velas acesas, encontram-se os instrumentistas, num cenário que faz jus à intenção, à letra e à sonoridade inquietante e constrangedora que a música deseja transmitir. Por sua vez, Elizabeth aparece-nos, deitada numa banheira, também ela num cenário arroxeado. Caracteristicamente maquilhada e em trajes menores, ela recita a letra de uma música sobre a morte e a alma humana, gerando assim, um misto de delicadeza, sensualidade e obscuridade.
Na outra mudança de cenário, vamos um espaço escuro, apenas iluminado pelas velas, num ambiente gótico rústico. São aqui utilizados diversos efeitos visuais curiosos, que representam uma atividade paranormal que ocorre com os instrumentistas da banda. Estes incidentes parecem acentuar-se no momento em que Elizabeth levanta os guturais, podendo-nos mostrar que a vocalista seria a figura malévola por detrás dessas ocorrências paranormais.
Temos, assim, não só uma música grudenta para os nossos ouvidos, como também um intrigante vídeo concetual, que muito bem casa com a cantiga que o acompanha. Este lançamento deixa-nos com boas expetativas perante o álbum de estúdio que se assoma.
Ficha técnica
Data de lançamento: 27 de janeiro de 2023
Editora discográfica: On Fire Records
Créditos:
Elizabeth Amoedo (vocalista)
Unai Iglesias (guitarrista)
Alejandro Fung (baixista)
Francesco Antonelli (teclista)
Charly Carretón (baterista, gravação, mixagem, masterização, direção, edição e gravação de vídeo)
Коловрат / Начало времён (colaboração com Midgaard, 2010)
Славиja (EP, 2010)
Славиja (álbum, 2010)
Земља (EP, 2013)
Завештање I: Земља (álbum, 2014)
Divide ut Regnes (álbum, 2019)
Também conhecidos como Сварун.
Fundada como uma banda exclusivamente em solo sérvio, mais tarde, Svarun veio a tornar-se num projeto internacional, com a colaboração de músicos russos.
Recomendado para fãs de: Noxiferis, Onydia, Evolucija, Nivaira, Epica, Leaves' Eyes