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domingo, 20 de agosto de 2023

Crítica #29 - Power Paladin - With the Magic of Windfyre Steel

Com um título caracteristicamente sonante aos mais destacados temas, no seio do power metal mais fantasioso, festivo e animado, With the Magic of Windfyre Steel, álbum de estreia dos islandeses Power Paladin encarna tudo aquilo que aparenta representar. Trata-se de um disco recheado de um power metal que, apesar dos eventuais clichés, se demonstra como brilhante, prazeroso e verdadeiramente divertido.

Ao contrário de muitas outras bandas que enveredam por esta ramificação de power metal, que parecem sobrepor, até a níveis genuinamente ridículos, a sua excentricidade teatral, com muito pouco de deleite, os Power Paladin evidenciam-se como músicos altamente proficientes em cada uma das suas devidas funções. Embora nem todas as cantigas possam ser niveladas aos mesmos patamares, elas são, na generalidade, de grande qualidade e podem até ser denominadas como verdadeiros hinos, no seu próprio enquadramento contextual.

E para rematar com a dose de grandiosidade que reveste o disco, este faz-se alumiar pela belíssima ilustração da capa, num cenário medieval mítico, que transcende uma agradável sensação de tranquilidade e imersão, numa obra de arte irrevogavelmente graciosa.


Ficha técnica

Data de lançamento: 7 de janeiro de 2022

Editora discográfica: Atomic Fire Records

Faixas:

-Kraven the Hunter (5:31)

-Righteous Fury (5:13)

-Evermore (4:32)

-Dark Crystal (5:57)

-Way of Kings (5:11)

-Ride the Distant Storm (4:56)

-Creatures of the Night (5:38)

-Into the Forbidden Forest (7:32)

-There Can Be Only One (6:52)


Créditos:

Atli Guðlaugsson (vocalista)

Ingi Þórisson (guitarrista e gravação)

Bjarni Þór Jóhannsson (guitarrista)

Kristleifur Þorsteinsson (baixista)

Bjarni Egill Ögmundsson (teclista e gravação)

Einar Karl Júlíusson (baterista)

Óskar Rúnarsson (vocalista convidado, em Righteous Fury e Dark Crystal)

Ragnar Þórisson (vocalista adicional, em Righteous Fury)

Magnús Sigurðsson (teclista, em Creatures of the Night)

Birgir Þórisson (pianista, em Evermore e There Can Be Only One)

Frank de Jong (masterização)

Haukur Reynisson (mixagem)

James Child (ilustração da capa)

Sara Fannarsdóttir (logótipo)

Þorvaldur Sævarsson (ilustração do título do álbum)

Eva Alexandra (fotografia)


domingo, 6 de agosto de 2023

Crítica #28 - Blood & Iron - Voices of Eternity

Blood & Iron é uma das mais importantes bandas de power metal da Índia. No presente álbum, que foi também o último da sua carreira, contou-se com a presença de músicos convidados, em sequência da redução da formação da banda, já aquando da sua reunião, em 2012.

Assim, em Voices of Eternity, a banda apresenta um power metal com uma sonoridade comum, conforme todos nós já conhecemos, repleto de melodias cativantes e triunfantes vocais limpos. Não sendo, de todo, algo que fuja muito àquilo que já espontaneamente associamos ao género, a música do álbum demonstra, de qualquer forma, competência e talento, em boas composições, que se agremiam, num todo, numa musicalidade agradável. É, sem dúvida, uma peça que os fãs de um power metal mais costumeiro, mas sempre refrescante certamente apreciariam.

Queremos também comunicar-vos que, tal como quase toda a população no nosso país, iremos também tirar férias, sendo que isto também inclui o blogue. Durante a próxima semana, não faremos publicações, a não ser relativamente ao lançamento da semana. Aos nossos leitores, desejamos também umas graciosas férias de verão!


Ficha técnica

Data de lançamento: 2013

Editora discográfica: Independente

Faixas:

-Eternal Rites (5:00)

-Your Own Voice (6:45)

-Ascendant (4:47)

-Legion (4:47)

-Underground Rebellion (5:12)

-Ghost of a Memory (6:48)

-Path Not Taken (4:41)

-Burning Bridges (5:58)

-Redemption Day (4:45)


Créditos:

Ashish Shetty (guitarrista e baixista)

Vikram Bains (guitarrista)

Praveen Kumar (baterista)

Giles Lavery (vocalista)

Youmni (vocalista de apoio e vocalista, em Burning Bridges e Ghost of a Memory)

Vin Nair (narração, em Ghost of a Memory)

Riju “Dr. Hex” (baixista, em Eternal Rites)

Ishaan Kumar (ilustração da capa)


domingo, 30 de julho de 2023

Crítica #27 - Saprophytes - Marionette

No seu único álbum de estúdio, os lituanos Saprophytes oferecem-nos um metal gótico com certeza peculiar e bem característico. Na generalidade, é um ótimo disco, com uma boa instrumentação, agressiva e, por vezes, melancólica, nos momentos certos. Os momentos menos pesados, e aqueles de maior ênfase acústico, fazem-nos recordar do rock gótico dos anos 90. Todas estas alterações rítmicas são cuidadosamente aplicadas no disco, sem que nada pareça fora do lugar, ao que a música flui lindamente, de forma contínua. Ocasionalmente, brotam alguns toques de violino.

Mas o elemento que mais nos chama à atenção é, sem dúvida, a voz do vocalista Marijonas Savickis. Além de ostentar o seu gutural e a sua voz áspera, é também dono de um incrível vocal barítono, que vai tendo maior ou menos proeminência, consoante as músicas do álbum. É uma voz barítona profunda, tremendamente assombrosa e bastante prazerosa de se escutar. Confere uma atmosfera bem refrescante e inovadora ao disco, que definitivamente monumentaliza a música dos Saprophytes.


Ficha técnica

Data de lançamento: Fevereiro de 2005

Editora discográfica: Independente

Faixas:

-Through the Open Window (1:10)

-Black Cross (3:44)

-Marionette (4:18)

-Sweet-brier Shadow (4:01)

-Altar Boy (4:09)

-Drink My Blood (5:06)

-Marble Will Take Only Ashes (6:45)

-I Want This Love Not To Die (3:40)

-Traces They Leading to Heaven (6:06)

-Touch the God (3:03)


domingo, 23 de julho de 2023

Crítica #26 - Darkstyle - Black Crystals

Neste breve lançamento, de apenas 20 minutos, os Darkstyle direcionam-nos para uma tenebrosa jornada musical, reveladora do mais puramente sinistro, diabólico e obscuro que o metal gótico - e, sinceramente, o metal em geral - pode proporcionar.

A sua música é caracterizada por harmonias hipnóticas que se constroem como contínuos ciclos incessantes, com elementos de dark ambient e dungeon synth. A banda consegue magistralmente coerir todas estas partes, ao longo de uma inigualável composição de horror musical. Nada de extremos ou de vocais agressivos. 

Através da sua simplicidade, os Darkstyle invocam uma ambiência de horror, de suspense e inquietação como ninguém. A sua música camufla-se, em nosso redor, penetrando na nossa mente como se de um ritual se tratasse e gerando um ambiente assombroso e imersivo. A distorção do som da guitarra, acompanhada dos sintetizadores, ajudam a conceber uma musicalidade cavernosa, medieval, soturna e genuinamente amedrontadora. Os vocais, por sua vez, surgem como sopros arrastados, às vezes, até impercetíveis. 

É quase que inexplicável a sensação de inquietação e horror que esta música transmite. Fomenta, constantemente, a ideia de que algo de estranho se passa em nosso redor, ou que alguma coisa de inesperado e medonho está impendente. 

Posto isto, a capa é evidentemente, uma ótima representação daquilo que é a música da banda. Ilustra um ambiente desconhecido, um bucólico noturno, apenas iluminado por estranhos objetos luminosos no solo. Juntos a uma silhueta aparentemente humana, mas cuja forma nem se entende muito bem. É todo este cenário simples, mas impactante pelo seu enquadramento imagético que perfeitamente se adequa ao ambiente de mistério e assombração que esta musica invoca. 

Destarte, os Darkstyle surpreenderam-nos com algo que nunca antes tínhamos escutado. É, verdadeiramente, uma banda que consideramos única, pela singularidade que materializa na composição de música marcadamente terrorífica. Esta é uma obra única e merecedora de toda a mesura possível. 

 

Ficha técnica

Data de lançamento: 1997

Editora discográfica: Some Place Else

Faixas:

-Castle of Sorrow (4:16)

-Black Crystals (3:53)

-Behind the Rainbow (3:28)

-Cold Charisma (4:11)

-Through the Secret Fire (4:40)


Créditos:

Weno (vocalista, guitarrista, baixista, compositor, letrista, gravação, mixagem, produção, fotografia e ilustração gráfica)

Anna (teclista, fotografia e ilustração gráfica)

Niko Sirkiä (fotografia e ilustração gráfica)


domingo, 16 de julho de 2023

Crítica #25 - Holygates - The Chapters From a Blue Dimension

The Chapters From a Blue Dimension é o único lançamento do projeto de power metal salvadorenho Holygates. A música do álbum é caracterizada por uma sonoridade relativamente primitiva, devido à qualidade de produção musical. No entanto, não consideramos isso como sendo algo negativo, bem pelo contrário. 

Essa sonoridade rústica dá um charme próprio à música, por lhe proporcionar uma certa autenticidade, devido à ausência dos costumeiros efeitos sonoros que são geralmente empregues no processo de produção musical. De modo que a som distante e cru da instrumentação, assim como da voz de Rodrigo "Fatality" Artiga, tornam o álbum numa peça artística especialmente original e interessante. 

Em virtude disto, alguns momentos do álbum parecem adquirir uma musicalidade mais próxima de um speed ou thrash metal, pela impercetibilidade dos elementos melódicos que perfazem o comum power metal. Rodrigo também demonstra uma grande expressividade na sua entoação vocal que, em concordância com algumas passagens de teclado, concebem uma sonoridade simultaneamente triunfante e cavernosa. Assim, neste lançamento, os fãs de um power metal mais rudimentar e tradicionalista terão bastante com que se satisfazer.


Ficha técnica

Data de lançamento: 2001

Editora discográfica: Nocturnal Entertainment Productions

Faixas:

-Intro (Holygates) (0:41)

-In the Sky... (4:32)

-In Vane (4:51)

-Eternal Flames (4:11)

-Battle Hymn (6:00)

-Fly Eternally (7:05)


Créditos:

Rodrigo "Fatality" Artiga (vocalista, guitarrista [elétrica e acústica], baixista, teclista, baterista, letrista, gravação, mixagem, logótipo, leiaute, concetualização da capa)

Christopher "Chris van" Heyden (guitarrista)

Carlos Gonzales (fotografia)

Riikka J. Leskinen (fotografia)


domingo, 9 de julho de 2023

Crítica #24 - Magilum - K​ı​rm​ı​zı Kar

No seu primeiro e único álbum, os turcos Magilum exteriorizam um metal gótico pouco convencional, consideravelmente adornado com elementos musicais diversos, que lhe confere uma sonoridade bem experimental. Por entre uma instrumentação bastante suave, esta miríade de adornos sonoros faz-se facilmente ressalvar e influencia diretamente a direção que a música leva. E além disto, também se ressoa o cantar, de uma voz feminina e masculina, também bastante subtis. É uma bela conjugação de peças musicais que fluem serenamente, sem que se note, em qualquer momento, um exagero nesta justaposição de ideias. É como que uma viagem para um mundo desconhecido, mas que nos encobre em conforto.

E falando em viagens, outro elemento de referência deste álbum é a sua capa. Trata-se de uma adaptação de uma antiga fotografia tirada no distrito de Beyoğlu, em Istambul, numa data desconhecida. Até onde pudemos verificar, poderá ser uma fotografia datada da segunda metade do século XIX, mas isso carece de certezas. O toque pessoal dos Magilum aparece no cenário da parte de baixo da capa, em que a polícia e uma multidão se aproximam de um cadáver ensanguentado no chão, ao que o sangue tinge de vermelho a neve. Daí, supomos, o título do álbum, que significa "neve de carmesim".

No reavivar de um elemento histórico do seu país, os Magilum demonstram-nos aquilo que certamente pretenderam fazer com este álbum, ao compor metal com toques largamente influenciados pela cultura turca, que se mostra, vividamente, na sua música.


Ficha técnica

Data de lançamento: 2008

Editora discográfica: Öztop Müzik

Faixas:

-Giden Benim (3:44)

-Çare (6:26)

-İnsanlık Suçu (4:27)

-Ölümümden Kimse Sorumlu Değil (4:54)

-Masal (3:43)

-Arsız Matem (4:55)

-Yolun Sonu (4:47)

-Yalnız Dünya (5:06)

-Dünyanın Merkezi (3:14)

-Kırmızı Kar (3:20)

-İçinden Kuş Geçen Sokak (3:52)

 

Créditos:

Nalan Tarhan (vocalista)

Oğuz Akalın (guitarrista, vocalista, compositor e letrista)

Dinçer Oruçoğlu (guitarrista)

Serhat Duran (baixista)

Can Baybunar (baterista)


domingo, 2 de julho de 2023

Crítica #23 - Erben der Schöpfung - Twilight

No seu primeiro álbum, os Erben der Schöpfung dão-nos a conhecer a essência da sua música. Baseando-se no som melancólico e soturno do metal gótico, fazem-se enfeitar de diversos elementos e influências musicais, principalmente, do ramo da música eletrónica. Desde EDM a EBM, darkwave e música industrial germânica, a banda constrói uma sonoridade bem própria e incrivelmente deleitosa.

Fazem uso de uma instrumentação tipicamente metálica, mas acompanhada dos mais diversos efeitos sonoros eletrónicos, que acentuam a sua atmosfera de lugubridade com a inconfundível voz da vocalista Sabine Dünser, que confere uma forte expressividade sentimental à música.

Inclusivamente para os fãs de música eletrónica com um tonalidade mais obscura, este álbum é recomendável. É verdadeiramente uma peça artística singular, pela sua grande qualidade, no mundo do metal gótico.


Ficha técnica

Data de lançamento: 7 de dezembro de 2001

Editora discográfica: M.O.S. Records Ltd.

Faixas:

-Elis (5:53)

-Sleep and Death (5:00)

-By My Side (5:05)

-Eine Rose für den Abschied (5:49)

-Niemand kennt den Tod (5:44)

-My Star (6:32)

-Ade (5:52)

-Alone (5:51)

-Doch sie wartet vergebens... (4:54)


Créditos:

Sabine Dünser (vocalista e letrista)

Pete Streit (guitarrista e baixista)

Oliver Falk (teclista e compositor)

Chris Lukhaup (vocalista, em Niemand kennt den Tod)

Thorsten Bauer (guitarrista, em Niemand kennt den Tod)

Martin Schmidt (baterista convidado)

Alexander Krull (produção, gravação, mixagem, masterização, engenharia de som e programação)

Martin Schmidt (assistente de engenharia de som)

Nadine van den Brock (ilustração da capa)

Regina Schmidt (fotografia)


domingo, 25 de junho de 2023

Crítica #22 - Libellula - Arenas Eternas

No seu primeiro e, até ao momento, único álbum de estúdio, os Libellula compõem um amistoso metal gótico, com consideráveis influências e elementos progressivos na sua musicalidade. Estes aspetos fazem-se traduzir em composições instrumentais com notável virtuosidade, que se desenham de forma bastante subtil. 

Fazem-se contrastar com momentos mais cativantes, notavelmente marcados por um adorável vocal feminino, cantado em inglês e em espanhol, embora este às vezes também se aparente projetar como um instrumento próprio, que também se junta à modelação das músicas. Os elementos mais sinfónicos, também proeminentes no álbum, desempenham, primordialmente, um papel mais atmosférico e dramático em relação a todo o conjunto sonoro.

Para os adeptos de um metal gótico mais desenvolto e até mesmo experimental, eis, neste álbum, algo que poderá ser do seu pleno gosto.


Ficha técnica

Data de lançamento: Abril de 2017

Editora discográfica: Independente

Faixas:

-Ira (3:45)

-Falling Angel (4:42)

-Vera (4:24)

-Mirror (4:42)

-Créditos Finales para un Asesino Serial (7:26)

-Paraíso Perdido (3:58)

-Cenizas (5:24)

-Liberty (5:08)

-Arenas Eternas (6:01)

-Espejo (4:42)


Créditos:

Lucia Chumacero (vocalista)

Vic LaBrie (vocalista)

Patricia Paredes (guitarrista)

Hugo Arce (baixista)

Daniela Lenz (teclista)

Miguel Canedo (baterista)


domingo, 18 de junho de 2023

Crítica #21 - Chantal - Eye of the Storm

Eye of the Storm é o segundo álbum de Chantal, que apresenta uma musicalidade bastante orientada por um estilo de cantor-compositor ou adult contemporary, mas com uma grande cobertura de metal sinfónico, ocasionalmente também com elementos de AOR. Possuímos, então, em nossas mãos, uma miríade de elementos musicais diversos, que, de forma interessante e subtil se conjugam, num extenso álbum com mais de uma hora de duração. As várias influências artísticas de Chantal evidenciam-se assim, de forma bastante notável, ao longo de treze cantigas bem serenas e cativantes. Também para quem aprecia uma boa dose de melodias de piano no seu metal sinfónico, tem, neste álbum, um maravilhoso banquete musical com que se deleitar.

 

Ficha técnica

Data de lançamento: 22 de fevereiro de 2022

Editora discográfica: Independente

Faixas:

-Phoenix Rising (6:01)

-Dream Spell (5:10)

-Thunder (5:42)

-Blind Faith (5:29)

-Keepers of Anarchy (5:34)

- Evil Stains (7:06)

-Darkness Stares (7:51)

-I Forgive You (4:21)

-Black Rose (4:17)

-Crystal Ball (4:05)

-Eye of the Storm (5:45)

-Breathe Deep (5:03)

-We Are One (4:49)


Créditos:

Chantal (vocalista, pianista, compositora e ilustração gráfica)

Jo Ellis (produtor, mixagem e masterização)

Christian Burgess (assistente de engenharia de som)

Reno Horn (fotografia)

 

domingo, 11 de junho de 2023

Crítica #20 - Ground-Force - জীবনবৃক্ষ / Jibonbrikkho

Pelo facto de ser cantado em bengali e não em inglês, conforme na versão principal, optámos por nos focar antes pela "versão nativa" do álbum Tree of Life dos Ground-Force. O cantar num idioma que nos é bastante distante atiça a nossa curiosidade e confere, claramente, uma mística totalmente nova à música.

Os Ground-Force focam-se, primordialmente, num power metal progressivo bastante bem concebido, com ótimas harmonias instrumentais diversificadas, que vão orientando a música para bom porto. Proporcionam uma sonoridade agradável, ainda isso que incorra, em poucas circunstâncias, em alguma saturação, que não se sentiria se alguns segmentos de uma ou duas músicas fossem removidos. Não é um problema, de todo, grave, e a generalidade das faixas não deixa isso passar.

Mas, aquilo que mais e melhor se destaca, neste disco, no nosso ponto de vista, são as baladas. São relativamente predominantes no álbum e, a nosso ver, são verdadeiramente a parte mais encantadora e apaixonante do mesmo. Desabrocham-se numa musicalidade pacífica, reconfortante e nostálgica, na medida em que fazem lembrar, pela entoação do canto e pela instrumentação, bandas clássicas dos anos 70 e 80. São realmente impressionantes. Pelo facto de serem relativamente longas, criam a sensação de que nunca vão acabar, estruturando-se numa espécie de ciclo sonoro em perpétua rotação.

Assim, tanto para os mais saudosistas, assim como para os fãs de um power metal de pegada mais progressiva, os Ground-Force oferecem um repertório recheado com aquilo que, tanto uns, como os outros, de certeza gostarão mais.


Ficha técnica

Data de lançamento: 9 de outubro de 2021

Editora discográfica: Independente

Faixas:

-Jibonbrikkho (6:33)

-Prithibir Gaan (5:57)

-Shottojoddhya (5:38)

-Shomadhi (5:57)

-Rokkhok (6:55)

-Mohaplabon (7:16)

-Azrael (5:44)

 

Créditos:

Ehsan Rahman Zia (vocalista e teclados em The Great Flood / Mohaplabon)

Rifat Rahman (guitarrista e gravação de guitarra)

Sazzad Arefeen (guitarrista, letrista, gravação, mixagem, masterização e gravação de baixo)

B. Ahmed Rahi (baixista)

Syed Ziaur Rahman Turjo (baterista e gravação de baixo)

Milu Aman (enredo)


segunda-feira, 5 de junho de 2023

Crítica #19 - Meltgsnow - Black Penance

Black Penance é o segundo álbum dos Meltgsnow. A banda singapurense toca um metal gótico exímio, com uma considerável influência de um heavy metal mais tradicional, patente nos acordes de guitarra e no estilo vocal. De modo que, com a conjugação desse véu de influência mais gótico, gera-se uma musicalidade intensa e modernizada, verdadeiramente interessante. Incluem-se, até, alguns elementos subtis de rock gótico dos anos 80/90, que tornam toda a apreciação sonora muito mais prazerosa.

 

Ficha técnica:

Data de lançamento: 2010/2011

Editora discográfica: Pulverised Records

Faixas:

-Through the Ashes of Providence (1:10)

-Betrayal (4:40)

-Devil's Mind Ride (3:59)

-Empty Sky (4:41)

-Lost Your Messiah (5:43)

-Crown of Serpents (5:09)

-Black Penance (5:21)

-Another Lie (4:32)

-Death Takes My Soul (5:51)

-Love For My Seraph (6:38)


Créditos:

Dani "Lord Insanity" (vocalista)

Zack Aria (guitarrista)

David "LordVidZ" (guitarrista)

Nikki Fye (baixista)

Adrian Leongbardo (baterista)


domingo, 28 de maio de 2023

Crítica #18 - Penakluk - Api

Num curto EP com apenas duas faixas, os Penakluk demonstram-nos a sua essência. Trata-se de um metal gótico com algumas influências de doom metal, notavelmente inspirado em outras bandas mais conhecidas, mas que se faz especialmente abrilhantar pelo cantar, em malaio, e pelas subtis melodias instrumentais, que fazem coexistir um simbolismo sonoro de ritualismo e exotismo. 

São músicas relativamente acessíveis, com bons acompanhamentos de acordes de guitarra e que se tornam especialmente cativantes ao ouvinte pela excelente integração dos elementos sonoros que nos parecem extrair maior influência de música malaia, ou do sudeste asiático, em geral.

Api foi inicialmente gravado em 1998 e mantido no esquecimento, até ter sido alvo de interesse por parte da editora malaia Gempita Records, para uma regravação, em formato vinil. Somente um outro tema, Sang Penakluk, foi gravado, inicialmente, mais tarde, em 2005, tendo sido também integrado neste lançamento, na sua versão digital do Bandcamp.


Ficha técnica

Data de lançamento: 2011

Editora discográfica: Gempita Records

Faixas:

-Api (5:07)

-Melalui Kuil Sawa (5:37)


Créditos:

Tanpa Nana (vocalista e sintetizador)

Sang Penakluk (guitarrista e baixista)

Arca Suria (baterista)

SM Al-Bamadhaj (letrista)

Naga Sakti (letrista)


domingo, 21 de maio de 2023

Crítica #17 - Astronomikon - Dark Gorgon Rising


No seu primeiro álbum, os cipriotas Astronomikon trazem-nos uma magnífica sessão de power metal de excelente qualidade. Contando com pouco menos que uma hora de duração, a banda demonstra que tem composições suficientes para dar e vender - o que se demonstra ainda melhor pelo facto de ser algo que nos confere um permanente agrado.

A música dos Astronomikon pode ser caracterizada como um power metal relativamente costumeiro (o que não é, definitivamente, nada de mau, conforme já veremos de seguida), com toques progressivos e agremiando alguns outros riscos e amoricos sonoros, como vocais guturais, secções acústicas e elementos sinfónicos. As características típicas de um power metal encontram-se todas reunidas aqui: os vocais limpos aventureiros, as harmonias de guitarra melódicas e virtuosas, um ritmo acelerado e toda uma musicalidade e essência triunfante e opípara. Tudo isto se converge na criação de uma música vivaça e frondosa, que se vai desabrochando melodiosamente.

É a congregação destes elementos característicos que confere uma sensação de familiaridade, conforto e deleite à música, acompanhando-a permanentemente, ao longo do álbum. Pela proximidade que um ouvinte poderá, eventualmente, ter com música power metal, este poderá, com alguma facilidade identificar alguns momentos de previsibilidade na música dos Astronomikon. Mas isto não é um defeito, bem pelo contrário. Estes momentos fazem-se carregar de uma sensação de grande satisfação auditiva, quando a música toma o rumo que nos agrada - e que sabemos, desde logo, que é algo agradável. E a melhor parte é quando toda a música se reveste de uma incrível epicidade.

Todas as faixas do álbum são bastante memoráveis e bem distintas entre si, a nível de ritmo e canto, o que o torna numa peça muito agradável de se ouvir, pois se materializa em como que uma espécie de jornada musical sem fim aparente. E assim, os Astronomikon fazem-se esmerar pela conceção de um excelente álbum de power metal, com músicas que são verdadeiramente lendárias, num trabalho merecedor de toda a boa estima e elogio.


Ficha técnica

Data de lançamento: 2013

Editora discográfica: Pure Legend Records

Faixas:

-Ad Astra per Aspera (0:48)

-Anatolia (4:20)

-Son of Seriphos (4:59)

-Witch Hunter (4:24)

-The Spell I'm Under (4:19)

-Dramatis Personae (4:49)

-Dark Gorgon Rising (5:30)

-Bloodborn (4:23)

-The Stone Abomination (3:49)

-For You I Will Die Young (4:31)

-A Sad Day at Argos (3:38)

-Perseas Eurymedon (6:40)

-Rocka Rolla Sword (5:02)


Créditos:

Nicholas Leptos (vocalista e vocalista de apoio)

Socrates Leptos (guitarrista e teclista)

Paris Lambrou (baixista e teclista)

Stefan Dittrich (baterista)

Evagelos Maranis (vocalista de apoio convidado, produtor, masterização, mixagem e tipografia)

Constantinos Machairiotis (vocalista gutural em Dark Gorgon Rising e For You I Will Die Young)

Constantinos Constantinou (guitarrista solo em Rocka Rolla Sword)

George Kallis (teclado, orquestrações, produção, mixagem e masterização de Ad Astra per Aspera)

Demetrios Argyropoulos (alaudista)

Markus Vesper (ilustração da capa)

Renos Hiripis (edição adicional da ilustração da capa)

Maria Gregoriou (leiaute)


domingo, 14 de maio de 2023

Crítica #16 - Opera IX - The Black Opera: Symphoniae Mysteriorum in Laudem Tenebrarum

O terceiro álbum dos Opera IX junta o melhor dos dois mundos: a proficiência musical magnífica no seu mais elevado potencial, em conjunto com toda uma estética musical tenebrosa e obscura. No decorrer de um álbum com pouco menos que uma hora de duração, a veterana banda italiana arrocha-nos numa verdadeira marcha em rumo às mais negras profundezas infernais musicalmente concebíveis.

Sendo que todas as faixas (à exceção da última, que é uma regravação dos Bauhaus) são intituladas, numericamente, como "atos", gera-se uma ideia de teatralidade, na conceção do álbum. Elas podem, daí, ser interpretadas como capítulos de um grimório, ou como um espetáculo de horrores que adquire forma sonora, de maneira que essa arrumação das faixas, só por si, transmite já uma sensação iminente de suspense. É uma forma bastante curiosa de ilustrar o álbum, evidenciando não só a sua total incorporação numa mesma obra sensorialmente obscura, mas também a irrevogável dedicação e perfecionismo artístico e profissional dos artistas envolvidos na sua conceção.

Neste álbum, os Opera IX munem-se de uma épica fusão de metal gótico com elementos bem proeminentes de black metal melódico. Constituem, assim, uma musicalidade agressiva, intensa e mística, pelo que a preponderância dos elementos sinfónicos e das entoações vocais variadas, executadas por Cadaveria, desde vocais gritados rasgados a um cantar mais áspero, mas acessível, contribuem para adensar a atmosfera tétrica e funesta que se faz sobressair, com toda a sua exuberância. nas diversas faixas. A repetição de certas verbalizações ao longo do álbum, principalmente em referência a Satanás e àquilo que parece ser língua enoquiana, confere uma certa particularidade concetual ao disco, como se se tratasse de um ritual.

É, no seu todo, uma experiência auditiva imersiva, caracterizada pela sua multidimensionalidade sonora, por via de uma constante introdução e revitalização de elementos musicais diversos, sem nunca se deixar levar pelo exagero e estando sempre tudo perfeitamente delineado. Toda esta panóplia de acrescentos musicais, desde as já referidas refinadas sinfonias vampirescas, a potentes acordes de guitarra, às diversas encantações vocais de Cadaveria e muito mais, contribuem para exprimir uma ambiência macabra e diabólica como nunca antes visto (ou escutado?).

Perante isto, resta-nos recomendar a escuta desta grandiosa obra aos nossos seguidores que apreciam um metal gótico mais pesado, com largas influências de black metal - e mesmo para quem não costuma apreciar esse tipo de música, de certo que uma espreitadela também não vos fará mal nenhum. Garantidamente, não se arrependerão.


Ficha técnica

Data de lançamento: 5 de maio de 2000

Editora discográfica: Avantgarde Music

Faixas:

-Act I: The First Seal (9:39)

-Act II: Beyond the Black Diamond Gates (7:14)

-Act III: Carnal Delight in the Vortex of Evil (6:13)

-Act IV: Congressus Cum Daemone (10:24)

-Act V: The Magic Temple (4:16)

-Act VI: The Sixth Seal (7:50)

-Bela Lugosi's Dead (regravação dos Bauhaus) (5:28)


Créditos:

Raffaella Rivarolo "Cadaveria" (vocalista)

Ossian D'Ambrosio (guitarrista)

Vlad (baixista)

Lunaris (teclista)

Alberto Gaggiotti "Flegias" (baterista)

Per-Olof Saether (produtor e engenharia de som)

Lars Lindén (assistente de engenharia de som)

Magnus Söderman (assistente de engenharia de som)

Alberto Maria Gotti (arte da capa e fotografia)


domingo, 7 de maio de 2023

Crítica #15 - Bonus - Disyuntiva

A música dos Bonus pode ser caracterizada como um power metal progressivo. É, além disso, composta e transmitida de uma forma que consideramos ser verdadeiramente inovadora, no sentido em que não se assemelha a nada que tenhamos escutado antes. Torna-se, portanto, logo a partir do início, uma obra musical realmente interessante e imersiva. 

Isto faz-se materializar, principalmente, por via de influências sonoras de música latino-americana, mais contemporânea e popular, que são destacadas pelo teclado, assim como através de uma ambiência simultaneamente futurista e celestial, que a composição sinfónica da música introduz. Este elemento é acompanhado pela instrumentação, que se faz relevar imenso pela proeminência do som do baixo, pulsante, feroz e que assume uma sonoridade moderna, quase eletrizada e realmente interessante. Isto coaduna-se com o elemento mais progressivo da música, que se faz ressoar também pelas melodias intrincadas de guitarra que se desdobram espontaneamente ao longo das cantigas.

Além disso, a essência dos Bonus também se faz vibrar pelos vocais. A combinação entre vocais femininos e vocais masculinos guturais e limpos é frequente, ao longo do álbum, e concebida de uma forma muito bem orquestrada, garantindo a sua fluidez permanente. As intervenções guturais não são abusivas, ao contrário de uma grande parte das bandas que escolhem implementá-los, mas sim executadas com precisão e qualidade.

Todo este conjunto constitui uma agradável atmosfera sonora que embala o ouvinte numa jornada musical quase transcendental. Sensação esta coadunante com a imagem da capa, também ela transmissora de um panorama sensorial etéreo, místico, e também com os seus dotes de futurismo e de uma imagética celeste. É, assim, uma peça musical verdadeiramente rica e bastante cativante, que definitivamente agradará aos fãs de um power metal com uma onda bem progressiva.


Ficha técnica

Data de lançamento: 1 de março de 2022

Editora discográfica: Deepblast Studio

Faixas:

-Equinoccio total (3:17)

-A tiempo (3:25)

-Redes y falsos (3:58)

-Imperios (3:39)

-The Eye of the Storm (4:56)

-El salto (3:21)

-Disyuntiva (3:08)

-Palabras dichas (2:39)

-No hay perdón (3:04)

-La dama y la cruz (4:23)


Créditos:

Yanairis Fernández  (vocalista, compositora, letrista, produção, gravação e ilustração da capa)

David Diaz (guitarrista, compositor, produção e gravação)

Frank Ramos (baixista)

Sergio E. Acosta (teclista)

Pablo Abreu Ramirez (baterista, vocalista gutural, compositor, produção e gravação)

Omar Pitaluga (guitarrista convidado)

Jorge Garcia (vocalista de apoio convidado)

Pedro J. Castro (baterista convidado, compositor, produção e gravação)

Jorge Garcia (mixagem e masterização)

Sergio Suarez (compositor e letrista)

Omar Pitaluga (compositor)

Alexis Ponce (ilustração da capa)

domingo, 30 de abril de 2023

Crítica #14 - In Darkness I Dwell - In Darkness I Dwell

Apesar da sua aparentemente curta existência, a banda belga In Darkness I Dwell deixou-nos um legado musical bastante singular e interessante. É, definitivamente, algo que poderíamos considerar como uma das mais fiéis e acuradas representações sonoras do metal gótico, pois comporta todos os elementos que nos fariam orientar o nosso pensamento musical nessa onda: uma voz feminina soturna, coros vocais que fazem um excelente contraste entre o elemento masculino e feminino (sem precisar de recorrer desnecessariamente ao típico gutural intrusivo), uma instrumentação cunctatória e melancólica e elementos sinfónicos em proeminência. Não se trata, portanto, de uma obra com grandes e ambiciosas composições. É um trabalho bastante simples e que consegue ser perfeitamente cativante à sua maneira.

Não sabemos se terá sido deliberado ou não, mas sente-se que a produção sonora dos instrumentos soa relativamente distante e até quase submersa. E ainda que, em alguns casos, isto possa ser um aspeto frustrante, aqui, assume o efeito inverso - é, precisamente, um dos elementos mais característicos da música dos IDID e que mais abonam em seu favor. Assim, a instrumentação assume um cariz quase hipnótico e de pano de fundo para relevar a voz feminina.

Esta, por sua vez, pela sua natureza suave, mas cerrada, e até mesmo triste, eleva a qualidade da música exponencialmente. As palavras proferidas são facilmente percetíveis e adensadas pela tonalidade e sentimento genuíno do cantar, como se de uma vocalização de angústia, de confusão, insegurança, de medo ou perdão se tratasse. Ocasionalmente, este cantar é reforçado com alguns coros vocais.

Um aspeto bastante interessante que se nota no decorrer deste lançamento é a arregimentação das músicas, como se de uma peça de teatro se tratasse. A instrumentação, como cenário; os vocais, como a narração e as personagens; e os elementos sinfónicos, que realmente até se assemelham a algo presente numa representação de uma cena medieval ou teatral, como uma transição entre cenas. É frequente encontrarmos aqui certos momentos em que a música para por um instante, para depois recomeçar de seguida. É como se contasse uma história que, pelas letras que a compõem, parece ser algo bem individual, da qual se faz uma exteriorização por via da música.

Assim, neste breve lançamento, os IDID fazem evidenciar um metal gótico verdadeiramente tétrico e único. É uma excelente peça artística que, apesar da sua maior ou menor uniformização sonora, é também versátil e gustativa o suficiente para ser do agrado dos mais diversos fãs do género.


Ficha técnica

Data de lançamento: 16 de junho de 2006

Editora: Independente

Faixas:

-Dance with the Fool (4:39)

-Anything, Anymore, Anyway (4:10)

-Tranquilize (3:26)

-In Darkness I Dwell (4:00)

-Fade to Grey (regravação dos Visage) (2:50)

 

domingo, 23 de abril de 2023

Crítica #13 - Longfulness - In a Posture of Solitude...

A música deste álbum do Longfulness é primordialmente instrumental. Salvo por umas breves e quase silenciosas vocalizações sussurradas, que se assumem mais como um elemento sonoro do que propriamente um cantar. Trata-se de um doom metal melódico com um grande enfoque na ambiência que os instrumentos geram, em especial, o piano e a guitarra, acompanhados, consistentemente, pelos efeitos sonoros atmosféricos, que se convertem num panorama de fundo, onde a ação musical se vai desenrolando. Contando também com prolongadas secções acústicas. Esta focalização nos instrumentos traduz-se numa relativa liberdade de abordagem na composição, que se desdobra, não com um ênfase de música progressiva, mas numa prolongação mais natural e fluída.

É um álbum em que as músicas se fazem traduzir na miríade de sensações que nos invocam. Como um autêntico epicédio, surgem-nos sensações de tristeza, de lugubridade, solidão, saudade; mas, ao mesmo tempo, de uma aparente sensação de alívio, ou de intensa confusão mental, de ausência de esperança, de um zénite de melancolia. Mas que se faz acender em criatividade artística. Como se a tristeza fosse um combustível para o desenvolvimento desta produção musical. Embora também possamos associar o desdobramento das cantigas individuais a uma epifania positiva, como se da transição de uma fase de mal-estar para uma de boa vivência se tratasse. Julgamos que a interpretação dependerá do ouvinte.

A música faz-nos pensar num ambiente sombrio, frio de desconsolo e de inconformismo interno. Consiste num processo constante de reanimação das nossas sensibilidades, como se a música fosse uma ponte de empatia emocional com o seu autor. E que, embora não saibamos o que possa ter feito parte dos seus pensamentos, durante a composição do álbum, nós facilmente conseguimos rever-nos e refletir na obra de outrem aquilo que também de emocional nos diz respeito.

Do início ao fim, este álbum surge como uma carruagem infindável de avivamento sentimental, que não poderia ter sido melhor executado sem o requinte e talento musical dos integrantes da banda. Esta musicalidade traduz-se numa tão pura e crua sensação de languidez, mas é também nesses trâmites que se revela uma profunda genuinidade nestas composições. Na transladação artística de algo que todos nós sentimos e que, apesar de ser algo que de certo que não gostemos de presenciar, faz-se florescer numa experiência musical prazerosa.

 

Ficha técnica

Data de lançamento: 6 de junho de 2013

Editora discográfica: Independente

Faixas:

-Lamentations in Nourishment (7:31)

-Restlessness (8:14)

-Forever Endeavour (9:42)

-A Portrait of Forgetfulness (2:41)

-Disillusionment (9:51)

-My Own Vision of Paradise (9:44)

-Simple Unpretentious Elegance of Solitude... (10:05)

 

Créditos:

Husain Shargi (vocalista e instrumentista)

Richard Campbell (mixagem, masterização e produtor [bateria e teclado])

Cameron Gray (ilustração da capa)

Moh'd Salim (logótipo e informação do álbum)


segunda-feira, 17 de abril de 2023

Crítica #12 - Everdawn - Cleopatra

Há certas bandas e músicas que nos marcam. Aquilo que persiste na nossa memória, pela positividade, é algo que tendemos a entrelaçar a uma plêiade de agradáveis momentos da nossa vivência, e que persistem para a posterioridade. De certo que toda a música de que gostamos faz sortir este efeito de pontificação, mas talvez somente alguns casos excecionais se destaquem, pela amplitude da sua relação com as boas vivências e singelas boas memórias, copuladas com os mais elevados patamares de qualidade artística.

O álbum de estreia dos Everdawn é uma das mais ilustres representações desse fenómeno. Uma banda cuja música nós associamos àquilo que nos é benfazejo e que é sonoramente maravilhoso, carregando consigo uma dupla importância para esta experiência de apreciação artística. Que não é unicamente a apreciação do momento, mas também o alegre reviver do passado e o acolhimento da nostalgia. Cleopatra é mais do que uma peça musical acima das mais supremas escalas de magnificência, é toda uma experiência louvável e cristalizada para a eternidade. É uma sensação de conforto, de empatia, de emoção e de felicidade.

E o fator principal que tornou esta banda numa das nossas mais recorrentes preferências foi, sem dúvida, a qualidade e pujança da sua música. Falamos de um álbum que, do início ao fim, se traduz numa autêntica obra de arte fascinante, de uma composição e música atemporal e imensuravelmente bela. Os Everdawn elevam o potencial do metal sinfónico a um patamar de incomparável superioridade, patente na instrumentação e nos vocais.

A instrumentação é de uma tecnicidade impressionante, precisa, com diversas sensibilidades progressivas, numa composição que complementa, engenhosamente, a intensidade do metal com a acessibilidade, melodia e grandiosidade do metal sinfónico. As orquestrações são notavelmente predominantes ao longo do disco e assumem uma imensa variedade de efeitos sonoros que se vão desenhando no decorrer da música. Sendo executadas com o máximo de ambição, contribuem para constituir toda uma atmosfera marcadamente etérea e transcendental, que engloba e se inter-relaciona lindamente com a instrumentação metálica. Esta combinação instrumental é absolutamente divinal e transcreve-se numa sensação de pasmo ao ouvinte, que é simplesmente inevitável por ser tão magnífica.

E o outro grande elemento definidor da musicalidade e identidade dos Everdawn é a voz de Alina. A sua proeza vocal é impressionante. Ela consegue facilmente transitar entre diversos registos vocais que vão ditando o desenvolvimento da música. E além deste aspeto mais técnico, há que destacar, invariavelmente, a imensurável lindeza e potência da sua voz. Alina é uma vocalista magnífica e a sua voz é carregada de uma forte emoção e carisma que, conjugada com a sua versatilidade, cria a receita para a perfeição. Além de também intensificar e personalizar o conteúdo lírico das músicas, exponenciando a magnificência já pré-existente das canções, a um novo grau de requinte.

É, sem dúvida, das mais belas e maravilhosas vozes que já passaram por nós. É uma voz sirénica, absolutamente encantadora e divinal, como uma presença miraculosa que abençoa a nossa audição com a mais esplendorosa e amável execução vocal possível.

Adicionalmente, as várias faixas do álbum possuem elementos sonoros, tanto vocais, como instrumentais, aparentemente mais discretos, que se vão revelando aos poucos, por cada vez que repetimos a sua escuta, que se desdobram de uma forma tão espontânea, que maravilham, consistentemente, a nossa experiência auditiva. É um exercício que demonstra a profunda proficiência, genialidade e criatividade artística destes músicos, que nunca deixa de se embelezar e revitalizar em nenhuma ocasião.

Esta é uma conjuntura que atestamos em todas as faixas do álbum. Além do facto de que todas elas são extremamente soberbas. Não existe rigorosamente nada fora do lugar, exagerado ou em falta. É como se todo o álbum tivesse sido esculpido por um autor renascentista. E é o que faria sentido, visto tratar-se de uma tentativa de captar a maravilha da essência humana através da arte - é precisamente isto o que os Everdawn fazem. Exponenciar o seu génio criativo num esforço coletivo de produção artística que externaliza o esplendor dos seus talentos e potenciais individuais. A consequência é a criação de uma maravilha artística, majestática, triunfante e musicalmente perfeita, que tão conveniente se faz representar pela real figura de Cleópatra. É um trabalho que merece todo o bom elogio e mesura possíveis, que reúne tudo aquilo que podemos, sem qualquer insistência, categorizar como uma ufana e épica obra de arte que sinonimiza com a perfeição e se encima, com todo o devido esplendor, nos supremos escalões de excelência artística.

Numa nota conclusiva, não podemos também deixar de expressar o quão gratificante e honroso é constituir um pequeno espaço de destaque e homenagem aos Everdawn neste blogue, tendo sido também uma das nossas primordiais fontes de inspiração para este projeto. Retomando as referências iniciais desta publicação, Cleopatra não é somente um álbum de estúdio, mas toda uma enriquecedora e solene experiência; não somente o expoente máximo da potencialidade do metal, mas também do mundo da música, na sua vasta globalidade e que merece ser celebrado com todo o seu fulgor.


Ficha técnica

Data de lançamento: 5 de fevereiro de 2021

Editora discográfica: Sensory Records

Faixas:

-Ghost Shadow Requiem (5:41)

-Stranded in Bangalore (3:25)

-Cleopatra (5:37)

-Your Majesty Sadness (4:54)

-Infinity Divine (4:03)

-Pariah's Revenge (4:22)

-Lucid Dream (4:02)

-Heart of a Lion (4:18)

-Toledo 712 A.D. (2:25)

-Rider of the Storm (4:10)

-The Last Eden (4:59)


Créditos:

Alina Gavrilenko (vocalista e letrista)

Richard Fischer (guitarrista)

Mike LePond (baixista)

Boris Zaks (teclista)

Dan Prestup (baterista)

Thomas Vikström (vocalista convidado, em Your Majesty Sadness)

Dan Swanö (mixagem e masterização)

Gyula Havancsák (ilustração da capa)


domingo, 16 de abril de 2023

Crítica #11 - Stillborn - Thy Feeble Soul

O único álbum de estúdio da banda maltesa Stillborn oferece-nos um metal gótico bem simples e tradicional, mas apaixonante. Com uma pegada ligeiramente influenciada por uma sonoridade doom, os Stillborn fazem ouvir a sua música através de uma conjugação de uma instrumentação melancólica e soturna, com ricas melodias de guitarra e de teclado, e com a excelente execução vocal de Diane Castillo.

A produção do álbum, cujos resultados poderão ter sido deliberados ou não, manifesta-se numa instrumentação um pouco rígida, quase rochosa, mas convenientemente captadora de uma sensação rústica e cavernosa e simultaneamente eutímica. Concebe uma sonoridade bem característica e agradável de um metal gótico com uma estética poética mediterrânea e quase medievalista - o que julgamos bem conveniente, dado o inspirador histórico da nação maltesa.

Esta composição instrumental é uberada com os emotivos vocais de Diane, que carregam consigo um sentimento bem vívido de amargura e com uma pronúncia inglesa bem própria, que contribui para gerar uma encantadora singularidade à sua interpretação lírica. Além disso, contamos também com a presença de um vocal masculino, que, felizmente e ao contrário de uma considerável porção de bandas de metal gótico, não faz uso de vocais guturais, mas antes, de um vocal imponente e ríspido, coadunante com todos os outros elementos da música e gerador de um verdadeiramente ótimo contraste vocal (ainda que só surja ocasionalmente).

Apesar de ser um lançamento promissor, o álbum não teve seguimento e os Stillborn separaram-se, eventualmente, ainda que tenham manifestado a sua vontade para um segundo álbum. Para todos os efeitos, Thy Feeble Soul constitui-se como uma bela cristalização do legado da banda maltesa e um verdadeiro clássico do metal gótico, a ser apreciado pelos fãs mais tradicionalistas do género.


Ficha técnica

Data de lançamento: 29 de agosto de 2007

Editora discográfica: Independente

Faixas:

-Thy Feeble Soul (7:36)

-Twisted Faith (7:58)

-Rites of Passage (6:54)

-Broken Circle (5:25)

-Silent Words (7:38)

-Cross of Fire (7:51)


Créditos:

Diane Castillo (vocalista)

Raphael Grech (guitarrista)

Mario Cassar (guitarrista)

Chris Grillo (baixista)

Jade Brincat (teclista)

Brendan Cutajar (baterista)


Estes músicos não faziam parte da banda à data do lançamento do álbum, mas são creditados como tendo participado no mesmo:

Julian Cardona (vocalista)

Jean-Paul Galea (baixista)

Robert Camilleri (teclista)

Clive Bonavia (baterista)


domingo, 9 de abril de 2023

Crítica #10 - Enemy of Reality - Where Truth May Lie

Recentemente, a banda grega Enemy of Reality apresentou-nos o seu terceiro álbum de estúdio, intitulado de Where Truth May Lie. Além do curioso paradoxo linguístico que este nome lança, ele recorda-nos, também, de que deveremos realçar, enquanto um facto verídico, que este álbum é uma obra verdadeiramente (redundância deliberada) magnífica. Do início ao fim, este disco promete lançar-nos não só numa jornada sonora, mas também numa autêntica experiência musical imersiva, pela firmeza, imponência e clareza da sua música e pela inclusão de variadíssimos elementos de diversos contextos musicais ao longo do disco.

Nem a epopeica introdução cinemática que dá incepção ao disco nos prepara para a tamanha dimensão da surpresa que o ouvinte tem ao longo do seu percurso auditivo. Mas transmite logo a ideia de que se assoma algo de uma impressionante grandiosidade. E esta sensação não se revela incorreta, mas incompleta, pois a pujança e a magnificência que caracterizam a música dos Enemy of Reality é de tão elevado requinte que nos encontramos num estado de quase perpétua admiração.

Isto, primordialmente, pela inesgotável criatividade dos músicos que compõem a banda. Todas as faixas do álbum são surpreendentes, pela sua exímia qualidade musical e pelo gracioso casamento entre inspirações e elementos musicais diversificados, com o nosso adorado metal sinfónico. Desde elementos característicos de música folclórica helénica, asiática, do Médio Oriente, música medieval e gótica e até mesmo alguns salpicos de metal mais pesado, tanto nos vocais agressivos que acompanham algumas faixas, como Ever Lusting, assim como por uma onda instrumentalmente mais thrash, como por exemplo, em Baptised in Fire. É também recheado de diversos toques mais progressivos e outros efeitos sonoros mais modernos, numa eclética conjugação entre o tradicional e folclórico e o mais contemporâneo.

Não só o aspeto criativo que merece o devido destaque, mas também a inquestionável proficiência dos músicos da banda, unidos num esforço coletivo de preparar um trabalho absolutamente fenomenal e apaixonante, com o máximo de carinho e profissionalismo. E, apesar de estarmos a falar de músicas com uma sonoridade ainda consideravelmente distinta umas das outras, não existe qualquer vacilo ou exagero na composição das mesmas, aliás, todas elas estão perfeitamente concebidas. Estas inovações abrem novos horizontes musicais que a banda consegue habilmente explorar em seu favor, gerando uma experiência musical riquíssima e altamente cativante, que, conforme mencionámos, nunca deixa de nos despertar a surpresa e o espanto, pelos melhores motivos possíveis.

E se estas cantigas diferem entre si de forma tão evidente, existe, não obstante, um elemento unificador e identitário nelas, que é o canto da vocalista Iliana Tsakiraki. A sua voz é absolutamente fascinante e incrível, tão bela e assumindo também diferentes modalidades de canto ao longo do disco: desde momentos operáticos, a um cantar limpo mais regular e a outras entoações vocais que nos encantam totalmente. Ela simplesmente faz maravilhas com a sua voz, contribuindo também para adoçar e enriquecer imenso a atmosfera que se gera em cada música, como o seu elemento de maior foco.

E assim, apesar da sua hodiernidade, Where Truth May Lie converte-se num autêntico marco no universo do metal sinfónico, conforme os Enemy of Reality merecem ser reconhecidos. Sem dúvida, um álbum munido do máximo possível de qualidade e profissionalismo artístico.


Ficha técnica

Data de lançamento: 24 de fevereiro de 2023

Editora discográfica: Independente

Faixas:

-Final Prayer (2:31)

-Downfall (4:13)

-At the Edge of Madness (4:04)

The Vineyard Song (3:36)

-Serenade of Death (4:14)

-Ever Lusting (3:43)

-Tears of Echo (3:54)

-Long Forgotten (4:24)

-Deliverance (3:41)

-Goat-Legged Deceiver (4:25)

-Baptised in Fire (5:13)


Créditos:

Iliana Tsakiraki (vocalista)

Stylianos "Steelianos" Amoiridis (guitarrista)

Thanos (baixista)

Philip Stone (baterista)

Aggelos Vafeiadis (gravação, produção e mixagem)

Michalis Skarakis (gravação, produção e mixagem)

Nasos Nomikos (masterização)

Thoth Graphics (ilustração da capa)